12 de setembro de 2010

Joguem suas iniciativas! - D&D - RPG - Dungeons & Dragons


Ladrããão! Ladrão de Botas! Elfo caooolho!
"Tejemu Fuso era um elfo desgarrado que levava um estilo de vida muito diferente e distante do pregado pelas doutrinas élficas milenares. Um legítimo "vida boa", na verdade, com a excessão de que não roubava dos pobres, dadas suas raízes também humildes e sofridas, mas ganhava a vida cometendo furtos. Isso é inegável.

"Modéstia à parte", como diria o próprio Tejemu, ele era muito talentoso fazendo isso, e apesar de caolho, parecia ter o olhar observador de um falcão. E foi graças a esse talento que ele percebeu facilmente, naquele dia, a janela do segundo andar da sapataria balançando um pouco, semi-aberta, com a brisa da noite. Uma oportunidade inacreditável para um ladrão que, por coincidência, estava à procura de um par de botas.

Desta maneira, como diz o ditado: "a oportunidade faz o ladrão", e Tejemu, um legítimo ladino, não tardou em cair em tentação; foi logo se aproximando do estabelecimento e, depois de uma rápida olhada para os lados, começou a escalar a parede.

- A rua deserta e a janela aberta! Até rimou! Nunca houve tão oportuna ocasião! - Pensou ele, em voz alta, entusiasmado com seu excesso de sorte. E era mesmo muita sorte; o vilarejo, mesmo pequeno, localizado sobre uma rota comercial, geralmente era muito movimentado, mas o frio e a neve haviam afastado as pessoas da rua. Para facilitar ainda mais a situação, havia barris encostados na parede, e esta, era tão irregular que Tejemu a escalou com a mesma facilidade com que se sobe uma escada. E lá já estava ele, sobre o telhado, diante da janela entreaberta.

Agora, buscando se tornar menos visível para quem pudesse vir pela rua, ele subiu o declive do telhado, bem devagar, evitando escorregar na neve, e se agachou à sombra da parede. Em seguida, concentrando-se para realizar um passo importante, encostou a cabeça bem próximo à janela e ficou em silêncio, tentando ouvir qualquer som ou conversa que pudesse estar vindo do interior da construção. E não ouviu nada; nem ronco, nem conversa, apenas um murmurinho de pechincha, que sabia vir do andar de baixo, onde ficava a loja.

Então, mais tranquilo e confiante, Tejemu respirou fundo, abriu as abas da janela e saltou para dentro, aterrisando com a graciosidade de um dançarino elfo, como quem se ajoelha, ao fim da dança, aos pés de sua cortesã. Isso, é claro, fazendo tanto barulho que ainda se poderia ouvir um camundongo dormindo dentro de uma das milhares de botas que agora ele via à sua frente. Muitas botas, todas amontoadas em uma enorme pilha contra a parede. Botas de todos tipos de sola, de couros e ornamentos. Algumas até com canos encrustrados com pedras brilhantes, mas não era uma dessas que Tejemu procurava. E, por sinal, ainda lhe faltava procurar!

Mas antes de começar, ele se levantou bem devagar, aguardando seus olhos se adaptarem à escuridão, e ficou imóvel por alguns instantes, conferindo se os sons que ouvira antes realmente estavam longe o bastante para não lhe oferecer qualquer perigo. Confirmadas suas expectativas, ele sorriu, feliz por estar sozinho, limpou a neve acumulada em suas roupas e caminhou em direção às botas. Diante delas, bastante alegre com a temperatura amena do interior aquecido do prédio, começou sua minuciosa procura; enfiou-se no meio da pilha e arredava com os pés as botas que não lhe serviam. E assim se passaram 6 minutos, que Tejemu provavelmente não percebeu, a não ser pelo cansaço que a procura já estava lhe causando.

- Não é possível! - exclamou ele, em voz baixa - Tem que haver uma bota extra-grande em algum lugar por aqui! Tem tantas! Como pode uma espelunca dessas vender botas e não tê-las em todos os tamanhos? - continuou ele, se exclamando, começando a ficar nervoso com a situação. E, de fato, muitas botas passaram por suas mãos. E depois outras e outras... Naquela pilha, realmente parecia ser mais fácil encontrar um dragão do que qualquer bota extra-grande, por mais grotesca ou mal feita que fosse. Foi então que, antes de terminar de verificá-las, Tejemu percebeu, na outra extremidade da sala, uma discreta porta de madeira que resolveu investigar: - Vai que eles guardam as botas maiores em uma sala separada. - pensou ele - Vale a pena dar uma olhada! - concluiu, abrindo a porta com um sorriso no rosto. Um sorriso que se desfez em seguida, à medida que o mal cheiro vindo da pequena peça escura denunciou o que havia no seu interior; uma pilha de botas sujas e gastas:
- Botas velhas... Botas velhas e chulé. Onde foi parar a sorte que estava comigo agora há pouco? - exclamou ele, cabisbaixo, esfregando a mão no rosto, de cima para baixo, fazendo o tapa-olho desprender-se acidentalmente. - Agora essa! - pensou Tejemu, agachando-se sem ânimo para procurá-lo no chão em meio às botas mal cheirosas.
- Quer saber!? Desisto! Vou fazer a volta e tentar comprar a maldita bota! - disse ele, num resmungo em tom cada vez mais baixo que terminou com um sorriso de surpresa surgindo em seu rosto. Em seguida, com o olho brilhando, ele ergueu do chão uma bota enorme, e de tanta felicidade, nem percebeu ser aquela a indubitável fonte de mal cheiro de todo o lugar.
- Com chulé ou não, esta é a bota perfeita. Com certeza! - disse Tejemu, sorridente, lembrando do "pisante" que havia prometido ao seu amigo Dalilo. - E um pouco de chulé não há de afugentar um meio-ork beberrão... - ponderou ele, realizado, enquanto já caminhava em direção à sua "rota de fuga".

Já na janela, preparando-se para "largar fora", Tejemu recolocou com calma o seu tapa-olho, dando um nó firme, e observou bem o movimento na rua. Depois, certo de que não havia ninguém à vista, projetou seu corpo para fora e jogou as botas no telhado, fazendo-as deslizar propositalmente pela neve que cobria as telhas. Uma espécie de contagem regressiva.

As botas deslizaram devagar, como planejado, e depois de repousarem na borda, por um pequeno instante, caíram do telhado chocando-se com leveza na neve macia depositada no chão da rua. Neste mesmo segundo, pode-se ouvir agora o elfo, saltando da janela e deslizando de pé sobre as telhas, com extrema rapidez.

Na extremidade do telhado, evitando uma violenta queda direta ao chão, Tejemu girou o corpo e se agarrou na placa da sapataria com um sorriso múltiplo de orgulho e divertimento estampado no rosto. Depois, no ápice de sua felicidade, soltou-se dali e caiu sobre as botas, agachando-se rápido ao alcançar o chão, reduzindo ao máximo o som e o impacto de sua queda. Sentia-se o elfo mais furtivo de todos, abençoado pela sorte e por Olidammara.


Mas, apesar de todo esforço e considerável êxito, a sorte de Tejemu o traiu no instante seguinte; ao virar-se de costas para deixar o local, já com as botas em mãos, Tejemu foi surpreendido por dois guardas da cidade. Os dois estavam de pé diante dele, baforando quente no frio intenso, e vestindo armaduras cinzentas cobertas por peludas capas de couro. Surpreso, Tejemu aguardou a reação deles sem se pronunciar.

Os dois guardas, também surpresos, olharam-se um ao outro e, tentando intimidar Tejemu, ameaçaram sacar suas espadas e deram voz de prisão: - Não se mecha, elfo, ou partimos você ao meio! Vimos você deslizando pelo telhado. Você está encrencado!

Neste momento, muito nervoso, Tejemu só conseguia pensar na lâmina fria das espadas cortando a sua carne. Estava completamente pálido, sem reação, vendo seus 140 anos de vida passarem diante dos seus olhos. Mas, como um gatilho, o som amedrontador do metal das espadas roçando a bainha moveu Tejemu, que por impulso, disparou em alta velocidade deixando os dois guardas para trás.

Nesta noite, coisas piores aconteceram naquele vilarejo, coisas bem mais sérias que um mero roubo de botas. Mas o que todos sabem é que, a certa hora da noite, todos os guardas varreram as ruas gritando:
- Ladrããããão! Ladrão de botas! Elfo caooolho!"


Conto inspirado em campanha de RPG - Dungeons & Dragons.


Esse desenho é a representação de um cenário que narrei para o meu grupo atual de Dungeons and Dragons 3.5. A ruela que aparece na imagem é da cidade de BARBACENA, a qual esquecemos o nome, durante o jogo, e que acabou, por fim, sendo rebatizada pelos jogadores como "Little Village". Um nome, digamos, menos difícil de esquecer, assim como 'Smallville' e por aí vai... hahahahahahah

Tejemu Fuso é um dos personagens dessa campanha. Um elfo com um passado obscuro, que vivia do roubo, mas que esta tendo sua vida mudada pela convivência com o bondoso e justo 'Dalilo', seu novo amigo meio-ork que, junto com ele, vem passando por uma série de eventos traumáticos...

Fica a homenagem à todos que estão participando desta que é, com certeza, uma das melhores campanhas de D&D que já joguei.

Abraço a todos, até mais!

Olidammara bless!

7 comentários:

  1. http://www.geekologie.com/
    Site muito bom!

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  2. http://www.rockstargames.com/grandtheftauto/
    O site dos GTA's. Design excelente e empolgante; da-lhe 'Rockstar' games!
    Que nostalgia que me deu agora...

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  3. http://ryotiras.com/
    Tirinhas legais as desse cara.

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  4. http://www.ideafixa.com/quer-ganhar-a-graphic-novel-um-outro-pastoreio-mostre-se/?utm_source=rss

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  5. http://www.botecodesign.org/
    Massa!

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  6. http://www.unwired2008.com/
    Urso polar!

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  7. Nossa! Ainda não havia lido a saga de Tejemu e as botas de Dalilo. Parabéns, belo uso das palavras para contar uma das minhas preferidas aventuras na pele deste estranho elfo!! Fiquei muito feliz relembrando tal passagem...espero voltarmos a ativa em breve!!!
    Abraço

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