23 de dezembro de 2009

Steampunk - AB - CD - Transporte civil.


"O velho "quatro patas" apresentava uma lataria pouco desgastada e pareceu bastante atraente aos olhos dos seus compradores, mas o que, a primeira vista, parecia um bom negócio, logo se tornou um pesadelo. Cometeram um erro ao comprá-lo. Fazia apenas um mês que o haviam adquirido e ele já os decepcionara uma porção de vezes. O que, logo, acarretou no início das discussões:
- Eu disse a você que devíamos ter comprado o dirigível, estava feio por fora, mas funcionava.
- Feio? Você quiz dizer furado, ?
- Era só tapar o buraco. Aposto que ele não ia perder um pedaço por quilômetro, como essa coisa.
- Ah!
A viagem que deveria durar 2 semanas já passava de 3. Um atraso enorme para quem carrega correspondências. O sultão das cidades-oasis já devia estar impaciente, mas procurando não pensar nessas coisas, Cão Selvagem e Ostra do Deserto, os carteiros atrasados, continuavam sua jornada.
Cão e Ostra tinham a vantagem de não se chatear um com o outro. Eram muito bons amigos e sempre arrumavam o que fazer. Mas neste dia, enquanto os dois, já desorientados, e desocupados, discutiam se era domingo ou segunda-feira, as engrenagens do motor pararam novamente. Seria "Quatro patas" decepcionando os dois mais uma vez?
Simultâneo ao silêncio do motor, uma luz acendeu no painel do veículo informando ao maquinista o que havia acontecido. Ao ver a luz acender, cão não se conteve:
- Mas que droga, de novo não!
Do compartimento traseiro, sem entender nada, Ostra gritou ao amigo na cabine:
- O que foi? Por que paramos?
- Temos problemas no calcanhar esquerdo.
- Mas... Por mil monóculos! Arrumamos ele ontem!
- Pois é... E pior, é a sua vez de consertá-lo!
- Eu? Só eu tenho feito consertos ultimamente, nem pensar!
- Como assim, ontem fui eu que arrumei!
- É, sim, só ontem. Seu malandro!
- Afff! Tá bom, mas você pilota durante a noite, é a minha vez de dormir.
- Fechado! - Ostra respondeu sorrindo, ao ver-se livre do conserto. Gostava de pilotar à noite e já estava farto de aparelhos de solda e de parafusos enferrujados. Nisso, preparando-se para seu turno de pilotagem, tornou a sentar-se na poltrona de onde levantou curioso, no momento da parada repentina do veículo. Se recostando para tentar tirar um último cochilo, acrescentou ainda ao seu amigo lá fora: - E vê se anda logo, estamos com uma semana de atraso e já está escurecendo.
Debochando do amigo, para o qual devia mais de meia dúzia de turnos, Cão retrucou em falso tom teimoso: - Sem pressa amigo, você não quis arrumar! Senta a sua bunda magrela aí e espera.
- Com muito gosto! - Ostra respondeu em meio a gargalhadas.
Preguiçoso, Cão foi descendo devagar pela escada de corda que jogou da cabine, reclamando sozinho: - Ai, ai, lá vou eu encher minhas meias de areia outra vez... "Quatro patas", você me dá trabalho!
Ouvindo as exclamações do amigo, Ostra deixou um conselho, antes de cair no sono instantâneamente: - Quando terminar, já deixe as ferramentas no compartimento de carga do calcanhar. Trazê-las aqui para cima é perca de tempo. Essa belezinha já estragou 4 vezes desde a última vez em que tomei banho!
Sem cansar de brincadeiras, Cão provocou: - Com toda essa higiene pessoal, algo me diz que vou dormir do lado de fora hoje! - Com excessão de roncos desordenados, não ouviu mais nada. Estava só."


Teste de pintura de cenário...
Sim, o veículo parece uma AT - AT do Star Wars, mas essa é uma releitura Steampunk e é de uso civil! =]
Que os deuses salvem George Lucas e Tolkien, os legítimos pais dos clichês!

19 de dezembro de 2009

Vamu, vamu! Vai descendo do trenó, gordão! Olha pro chão, não olha pra minha cara! No chão, no chão filha da puta! Quétinho!


Eu tive essa idéia de tira antes do Natal passado, mas quando a desenhei já era janeiro. Aí prometi para mim mesmo que nesse Natal eu a postaria. Aí esta!
Que o Papai Noel nos traga paz!

17 de dezembro de 2009

ARÍETE


(CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA POR INTEIRO)
"- E pensar que estou no exército há apenas 1 ano. Que droga! O que havia de errado na vida na aldeia? Impostos altos, acordar cedo, trabalhar no campo o dia inteiro e só voltar para casa a noite... Agora parece tão bom.
- Entendo... Mas lembre-se, agora você é um soldado!
- É. Eu sei, senhor. Não nasci para aquele lugar. Desde criança, eu gostava mesmo era de ir à cidade. Lá eu passava o dia em torno da cidadela, observando os guardas e a forma como eles agiam, para quando chegasse em casa brincar de ser soldado com os meus irmãos. Coisa de criança. Pura ilusão... Fui me alistar justo agora! Como poderia adivinhar essa guerra? Mal alcancei a idade para o alistamento... Ainda não estou pronto para morrer!
- Ninguém está. E é tarde demais para arrependimentos...
- Você não tem medo? Pelos Deuses! Dá para escutar as fileiras de arqueiros deles se organizando atrás das améias...
- É o silêncio que antecede a batalha. Acalme-se, cale-se e concentre-se!
- Está bem... Só mais uma pergunta; O que vamos fazer depois de arrombar o portão?
- Agradecer aos Deuses por termos chegado vivos até lá.
- ...
- Falando em portão, já podemos vê-lo. Lá está ele! Lembrem-se, homens, a vitória está em nossas mãos! Vamos lá, EMPURREM!!!
- Urrrraaaaaaa!!!
- Pare com isso! Gritar desse jeito só vai deixá-lo exausto. Guarde suas energias para os soldados lá dentro e concentre-se em se manter fora da mira dos arqueiros.”

Diálogo ocorrido próximo ao portão da fortaleza, minutos antes de o Aríete ser atingido acidentalmente por fogo amigo. Não confie na mira das catapultas!

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Dicionário Michaelis:
a.rí.e.te
sm (lat ariete) 1 Antiga máquina militar. 2 Madeiro pesado, com ponta recoberta de ferro, usado para romper portas de fortalezas.

Os aríetes ainda são usados pela polícia em operações especiais, mas o surgimento desse instrumento remonta à antiguidade, onde estes tinham participação muito mais considerável em conflitos militares. Como na tomada de Jerusalém, pelos romanos, por exemplo.

Embora de aparência rústica e estrutura bastante simples, nas guerras antigas a atuação deste instrumento era decisiva no rumo da batalha e tal importância e valor tático, tornava-o um alvo obstinadamente perseguido pelas tropas defensoras. Foi devido à grande preocupação dos exércitos atacados em inutilizar os Aríetes antes que agissem, que eles foram se tornando legítimos "carros de guerra", como o do desenho.

Naturalmente, os aríetes nos parecem estruturas um tanto exageradas, mas faziam muito sentido na época em que foram usados. Sua estrutura, semelhante a uma cabana, por exemplo, foi criada para proteger quem estava sob ela dos ataques dos arqueiros defensores, que tentavam, a todo custo, impedir a invasão. Tais escudos não garantiam proteção total a quem se encontrava sob eles, mas garantiam que os operadores do aríete sobrevivessem por mais tempo, dando continuidade ao arrombamento. Alguns Aríetes, assim como o do desenho, contavam até com escudos revestidos com couro, o que ajudava a evitar os incêndios provocados pelas flechas incendiárias do inimigo e até mesmo para proteger os seus operadores do Óleo fervente que, na idade média, também era jogado de algumas fortalezas sobre as tropas invasoras.

Semelhante a uma carroça pesada de madeira, contando apenas com a tração animal - humana - para se deslocar, o aríete era um veículo relativamente lento e que, por isso, era vulnerável em batalha desde a aproximação. Em sua lentidão, não só era atacado pelos arqueiros, como também ficava a mercê de contra-ataques rápidos da cavalaria e da infantaria inimigas. Portanto, mesmo contando com a cobertura do exército aliado, os soldados que operavam o aríete também deveriam ser experientes em batalha, para o caso de conflitos corpo a corpo. Durante o arrombamento os operadores do aríete também eram severamente atacados pelas tropas de defesa através das fendas que o próprio aríete abria no portão... Era uma operação de muitas baixas onde os operadores do aríete feridos e mortos pelo inimigo eram simplesmente repostos com rapidez, para que o ataque não parasse!

O Aríete que eu desenhei tem a tora de madeira semi-fixa na carroceria, mas a maioria deles possuía o "aríete", a peça de arrombamento em si, pendurada na carroceria como um pêndulo, o que lhes conferia maior impulso, aumentando a velocidade e, conseqüentemente, o poder de dano que causava ao se chocar com os portões do inimigo.

Uma arma temível!

11 de dezembro de 2009

O ANÃO E SEU MACHADO


"Dizem que no início os anões foram feitos por Aulë na escuridão da Terra Média. Pois, tão grande era o desejo de Aulë pela vinda dos Filhos, para ter aprendizes a quem ensinar suas habilidades e seus conhecimentos, que não se dispôs a aguardar a realização dos desígnios de Ilúvatar. E Aulë criou os anões, exatamente como ainda são, por que as formas dos filhos que ainda estavam por vir não estavam nítidas em sua mente e, como o poder de Melkor ainda dominasse a Terra, desejou que eles fossem fortes e obstinados. [...]"

Trecho retirado da obra literária "O Silmarillion" de "John Ronald Reuel Tolkien" que descreve a criação dos anões.