23 de dezembro de 2009

Steampunk - AB - CD - Transporte civil.


"O velho "quatro patas" apresentava uma lataria pouco desgastada e pareceu bastante atraente aos olhos dos seus compradores, mas o que, a primeira vista, parecia um bom negócio, logo se tornou um pesadelo. Cometeram um erro ao comprá-lo. Fazia apenas um mês que o haviam adquirido e ele já os decepcionara uma porção de vezes. O que, logo, acarretou no início das discussões:
- Eu disse a você que devíamos ter comprado o dirigível, estava feio por fora, mas funcionava.
- Feio? Você quiz dizer furado, ?
- Era só tapar o buraco. Aposto que ele não ia perder um pedaço por quilômetro, como essa coisa.
- Ah!
A viagem que deveria durar 2 semanas já passava de 3. Um atraso enorme para quem carrega correspondências. O sultão das cidades-oasis já devia estar impaciente, mas procurando não pensar nessas coisas, Cão Selvagem e Ostra do Deserto, os carteiros atrasados, continuavam sua jornada.
Cão e Ostra tinham a vantagem de não se chatear um com o outro. Eram muito bons amigos e sempre arrumavam o que fazer. Mas neste dia, enquanto os dois, já desorientados, e desocupados, discutiam se era domingo ou segunda-feira, as engrenagens do motor pararam novamente. Seria "Quatro patas" decepcionando os dois mais uma vez?
Simultâneo ao silêncio do motor, uma luz acendeu no painel do veículo informando ao maquinista o que havia acontecido. Ao ver a luz acender, cão não se conteve:
- Mas que droga, de novo não!
Do compartimento traseiro, sem entender nada, Ostra gritou ao amigo na cabine:
- O que foi? Por que paramos?
- Temos problemas no calcanhar esquerdo.
- Mas... Por mil monóculos! Arrumamos ele ontem!
- Pois é... E pior, é a sua vez de consertá-lo!
- Eu? Só eu tenho feito consertos ultimamente, nem pensar!
- Como assim, ontem fui eu que arrumei!
- É, sim, só ontem. Seu malandro!
- Afff! Tá bom, mas você pilota durante a noite, é a minha vez de dormir.
- Fechado! - Ostra respondeu sorrindo, ao ver-se livre do conserto. Gostava de pilotar à noite e já estava farto de aparelhos de solda e de parafusos enferrujados. Nisso, preparando-se para seu turno de pilotagem, tornou a sentar-se na poltrona de onde levantou curioso, no momento da parada repentina do veículo. Se recostando para tentar tirar um último cochilo, acrescentou ainda ao seu amigo lá fora: - E vê se anda logo, estamos com uma semana de atraso e já está escurecendo.
Debochando do amigo, para o qual devia mais de meia dúzia de turnos, Cão retrucou em falso tom teimoso: - Sem pressa amigo, você não quis arrumar! Senta a sua bunda magrela aí e espera.
- Com muito gosto! - Ostra respondeu em meio a gargalhadas.
Preguiçoso, Cão foi descendo devagar pela escada de corda que jogou da cabine, reclamando sozinho: - Ai, ai, lá vou eu encher minhas meias de areia outra vez... "Quatro patas", você me dá trabalho!
Ouvindo as exclamações do amigo, Ostra deixou um conselho, antes de cair no sono instantâneamente: - Quando terminar, já deixe as ferramentas no compartimento de carga do calcanhar. Trazê-las aqui para cima é perca de tempo. Essa belezinha já estragou 4 vezes desde a última vez em que tomei banho!
Sem cansar de brincadeiras, Cão provocou: - Com toda essa higiene pessoal, algo me diz que vou dormir do lado de fora hoje! - Com excessão de roncos desordenados, não ouviu mais nada. Estava só."


Teste de pintura de cenário...
Sim, o veículo parece uma AT - AT do Star Wars, mas essa é uma releitura Steampunk e é de uso civil! =]
Que os deuses salvem George Lucas e Tolkien, os legítimos pais dos clichês!

19 de dezembro de 2009

Vamu, vamu! Vai descendo do trenó, gordão! Olha pro chão, não olha pra minha cara! No chão, no chão filha da puta! Quétinho!


Eu tive essa idéia de tira antes do Natal passado, mas quando a desenhei já era janeiro. Aí prometi para mim mesmo que nesse Natal eu a postaria. Aí esta!
Que o Papai Noel nos traga paz!

17 de dezembro de 2009

ARÍETE


(CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA POR INTEIRO)
"- E pensar que estou no exército há apenas 1 ano. Que droga! O que havia de errado na vida na aldeia? Impostos altos, acordar cedo, trabalhar no campo o dia inteiro e só voltar para casa a noite... Agora parece tão bom.
- Entendo... Mas lembre-se, agora você é um soldado!
- É. Eu sei, senhor. Não nasci para aquele lugar. Desde criança, eu gostava mesmo era de ir à cidade. Lá eu passava o dia em torno da cidadela, observando os guardas e a forma como eles agiam, para quando chegasse em casa brincar de ser soldado com os meus irmãos. Coisa de criança. Pura ilusão... Fui me alistar justo agora! Como poderia adivinhar essa guerra? Mal alcancei a idade para o alistamento... Ainda não estou pronto para morrer!
- Ninguém está. E é tarde demais para arrependimentos...
- Você não tem medo? Pelos Deuses! Dá para escutar as fileiras de arqueiros deles se organizando atrás das améias...
- É o silêncio que antecede a batalha. Acalme-se, cale-se e concentre-se!
- Está bem... Só mais uma pergunta; O que vamos fazer depois de arrombar o portão?
- Agradecer aos Deuses por termos chegado vivos até lá.
- ...
- Falando em portão, já podemos vê-lo. Lá está ele! Lembrem-se, homens, a vitória está em nossas mãos! Vamos lá, EMPURREM!!!
- Urrrraaaaaaa!!!
- Pare com isso! Gritar desse jeito só vai deixá-lo exausto. Guarde suas energias para os soldados lá dentro e concentre-se em se manter fora da mira dos arqueiros.”

Diálogo ocorrido próximo ao portão da fortaleza, minutos antes de o Aríete ser atingido acidentalmente por fogo amigo. Não confie na mira das catapultas!

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Dicionário Michaelis:
a.rí.e.te
sm (lat ariete) 1 Antiga máquina militar. 2 Madeiro pesado, com ponta recoberta de ferro, usado para romper portas de fortalezas.

Os aríetes ainda são usados pela polícia em operações especiais, mas o surgimento desse instrumento remonta à antiguidade, onde estes tinham participação muito mais considerável em conflitos militares. Como na tomada de Jerusalém, pelos romanos, por exemplo.

Embora de aparência rústica e estrutura bastante simples, nas guerras antigas a atuação deste instrumento era decisiva no rumo da batalha e tal importância e valor tático, tornava-o um alvo obstinadamente perseguido pelas tropas defensoras. Foi devido à grande preocupação dos exércitos atacados em inutilizar os Aríetes antes que agissem, que eles foram se tornando legítimos "carros de guerra", como o do desenho.

Naturalmente, os aríetes nos parecem estruturas um tanto exageradas, mas faziam muito sentido na época em que foram usados. Sua estrutura, semelhante a uma cabana, por exemplo, foi criada para proteger quem estava sob ela dos ataques dos arqueiros defensores, que tentavam, a todo custo, impedir a invasão. Tais escudos não garantiam proteção total a quem se encontrava sob eles, mas garantiam que os operadores do aríete sobrevivessem por mais tempo, dando continuidade ao arrombamento. Alguns Aríetes, assim como o do desenho, contavam até com escudos revestidos com couro, o que ajudava a evitar os incêndios provocados pelas flechas incendiárias do inimigo e até mesmo para proteger os seus operadores do Óleo fervente que, na idade média, também era jogado de algumas fortalezas sobre as tropas invasoras.

Semelhante a uma carroça pesada de madeira, contando apenas com a tração animal - humana - para se deslocar, o aríete era um veículo relativamente lento e que, por isso, era vulnerável em batalha desde a aproximação. Em sua lentidão, não só era atacado pelos arqueiros, como também ficava a mercê de contra-ataques rápidos da cavalaria e da infantaria inimigas. Portanto, mesmo contando com a cobertura do exército aliado, os soldados que operavam o aríete também deveriam ser experientes em batalha, para o caso de conflitos corpo a corpo. Durante o arrombamento os operadores do aríete também eram severamente atacados pelas tropas de defesa através das fendas que o próprio aríete abria no portão... Era uma operação de muitas baixas onde os operadores do aríete feridos e mortos pelo inimigo eram simplesmente repostos com rapidez, para que o ataque não parasse!

O Aríete que eu desenhei tem a tora de madeira semi-fixa na carroceria, mas a maioria deles possuía o "aríete", a peça de arrombamento em si, pendurada na carroceria como um pêndulo, o que lhes conferia maior impulso, aumentando a velocidade e, conseqüentemente, o poder de dano que causava ao se chocar com os portões do inimigo.

Uma arma temível!

11 de dezembro de 2009

O ANÃO E SEU MACHADO


"Dizem que no início os anões foram feitos por Aulë na escuridão da Terra Média. Pois, tão grande era o desejo de Aulë pela vinda dos Filhos, para ter aprendizes a quem ensinar suas habilidades e seus conhecimentos, que não se dispôs a aguardar a realização dos desígnios de Ilúvatar. E Aulë criou os anões, exatamente como ainda são, por que as formas dos filhos que ainda estavam por vir não estavam nítidas em sua mente e, como o poder de Melkor ainda dominasse a Terra, desejou que eles fossem fortes e obstinados. [...]"

Trecho retirado da obra literária "O Silmarillion" de "John Ronald Reuel Tolkien" que descreve a criação dos anões.

19 de novembro de 2009

STEAMPUNK - FLUTUADOR A VAPOR


"Os meus "Steampunks" já parecem coisa velha, mas ainda não são vitorianos..."
Tiarles M. Rodeghiero - Eu mesmo.



Aviso de utilidade Steampunk

Novidade interessante: Steambook
O que é: Um site Steampunk de relacionamento. Grosseiramente falando, um "orkut" para aficionados, fãs e simpatizantes do gênero "Steampunk" poderem fazer amigos, trocar uma idéia, divulgar o que fazem, conhecer o movimento e até para, quem sabe, encontrar um alguém disposto a pôr carvão na caldeira do amor. Enfim, cada um busca o que quiser lá.
Funcionamento: Mesmo em uma versão Beta, em estado de aprimoramento (e isso é bom), o pessoal já está por lá, a todo vapor, fazendo amigos e tudo mais. E é grátis, é claro!
E eu com isso: Eu? Particularmente, achei o site bem bacana e vou criar um profile para divulgar os meus desenhos!

9 de novembro de 2009

Stickers - Caras grandes


Esses são dois desenhos grandes e despropositados que fiz em um papel vagabundo enorme para colar despropositadamente em algum lugar da cidade de Pelotas. Passatempo...

Não consigo desenhar, o TCC tá me comendo vivo.
Ui!

Quando vamos colar isso?

29 de outubro de 2009

COSPLAY, cause i like it!


"Otaku (おたく? lit. seu lar): É um termo usado no Japão para designar um fã por um determinado assunto, qualquer que seja. No imaginário japonês, a maioria dos otakus são indivíduos que se atiram de forma obsessiva a um hobby qualquer. No ocidente, a palavra é utilizada como uma gíria para rotular fãs de animês e mangás em geral, em uma clara mudança de sentido em relação ao idioma de origem do termo. Muitos membros da comunidade acham o termo ofensivo por não concordarem com a distorção de sentido do mesmo e se recusam a ser chamados assim."

Fonte: Wikipédia.

Essa é uma HQ simples que fiz para, talvez, publicar em um fanzine com uns amigos da faculdade. O fanzine é pra ser vendido (a preço simbólico) no ANIMATRI, o maior evento 'otaku' pelotense.

O evento ocorrerá no colégio São José no dia 07/11, a partir das 13:00h. Os ingressos custam 5 reais que valem a pena. Se você curte mangás ou animes, vai se divertir bastante. Se não curte, vá assistir ao show que os 'otakus' (sim, fanáticos) pelotenses com certeza vão dar.

19 de outubro de 2009

Dragon slayers


Estes são dois desenhos que inscrevi no "1° Desafio do Desenho" da 'Jambo Editora', de Porto Alegre. Dos inscritos, 3 serão premiados com a publicação de seus desenhos na revista brasileira de RPG Dragon Slayer (30 000 tiragens no Brasil), sendo o primeiro colocado convidado a ilustrar um dos próximos livros da editora Jambo. Muita gente concorrendo, desenhos muito bons... O quê vale é participar não é mesmo?
hahahahahah
Pelo menos fiz minha primeira criação totalmente no photoshop! Sem linhas, sem contorno, experimentando!

6 de outubro de 2009

Druaniano de sorte!

Photobucket

"Li-O-Din é um empregado feliz. Ele sabe que em uma galáxia como a nossa nem todos tem um emprego. Ainda mais como o dele, com carteira assinada e tudo mais. Sem falar no 'Sindicato dos Operários Interplanetários', ao qual ele é associado. Ganha até assistência odontológica, é um Druaniano de sorte! Ele trabalha no compartimento de cargas de um JUMBO 80T, um transportador galáctico, onde é chefe fiscal do setor de 'vistoria de mercadorias'. Trabalho simples: confere a mercadoria que entra, confere a que sai. Uma barbada! O único contra é o tempo que ele fica sem fazer nada, olhando para as paredes. Na verdade, bastante tempo, considerando que ele trabalha nesse emprego há 25 anos e que cada viagem interplanetária dura cerca de 8 semanas... Fora isso, é um emprego excelente, você não acha?"

(Tô animado com a primeira animação!)

24 de setembro de 2009

Nau das estrelas


Aproveitando o tempo que ainda me sobra, fiz esse desenho na primeira aula de "Projeto em Arte II", a disciplina do TCC. O início de semestre é bom demais!

21 de setembro de 2009

Sem noção, sem dúvida, sem cérebro, cem reais...


Este era o esboço de uma tirinha, mas dado o contexto e o que ele representa, finalizei assim mesmo. Fiz a tira ao lembrar de uma reportagem que vi há alguns tempos no "Diário Popular", onde se falava e reclamava das pessoas que entram nas lixeiras à noite... Do jeito que os entrevistados e o autor da matéria falavam, parecia que as pessoas entravam nas lixeiras para se divertir...

Sobre o título da tirinha; faz uma clara referência àquela música homônima super tocada do 'Seu Jorge'. Acho estranho como essa música ficou famosa justamente entre a classe da qual, imagino eu, ela debocha. Convenhamos, na maior falta de interpretação, as burguesinhas/patricinhas dançam felizes sem nem desconfiar do potencial subjetivo daquela letra. Enfim, um viva para o "Paty way of life" e um "Güenta firme" para todos os pobres infelizes que tem que assistir elas dançando em noitadas que custam várias cestas básicas cada. Aquilo é que é gastar dinheiro com sabedoria. "Vai no cabeleleiro, vai no esteticista, puxa vida,..."

9 de setembro de 2009

Relacionamentos são relacionamentos...


Há quem acredite que em uma relação homossexual possam haver uma sinceridade e respeito que não há em relações heterossexuais. Acho essa idéia um tanto absurda. Concordo que os gays contam com uma sensibilidade aguçada, diferente da maioria heterossexual tomada por valores cegos, fúteis e machistas, mas mesmo assim, duvido dessa diferença. Somos todos humanos e, gays ou não, tendemos a ter dificuldades de relacionamento. A coisa mais normal do mundo. Dois corpos não ocupam o mesmo espaço, a menos que queiram muito!

"Para os mais exaltados; De forma alguma essa tirinha tem conteúdo homofóbico ou busca, de alguma forma, ferir os direitos dos homossexuais."

A propósito, a lei que torna a 'homofobia' um crime está por ser aprovada pelos nossos queridos políticos, lá em Brasília... Parabéns à comunidade homossexual pela conquista! Pensei que essa lei já existisse. Paciência meus amigos! E ainda retiraram da lei a legalização da união homoafetiva. Que diferença faz para o país os homossexuais estarem casados ou não? Valores morais? Quais? Depois de 18 anos de constituição, a primeira lei federal em favor dos homossexuais no Brasil vem cheia de lacunas... A justiça taaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaarda e, as vezes, falha.

Desenhei a tirinha em parceria com um amigo meu, o Gustavo, o cara que a escreveu. Essa idéia de trabalharmos juntos estava na gaveta há um bom tempo.
Espero que seja a primeira de muitas.

29 de agosto de 2009

Morfologia das Fadas

(Certa vez acordei estranho, com uma frase e uma imagem na cabeça. A imagem era a cabeça desse bicho aí e a frase: "Morfologia das Fadas". Aí, sem ligar muito, terminei de acordar e fui para a faculdade. Mas a imagem e as palavras permaneceram nos meus pensamentos. E no início da tarde, com a ajuda da cor azul da biblioteca do ICH - UFPel, causadora de incrível preguiça e sono, abandonei meus estudos para me dedicar às lembranças do sonho. Comecei desenhando a cabeça, que ficou muito fiel a que eu vi durante a noite. Depois, pensando na "morfologia das fadas",que na verdade nunca foi definida (por que será?), inventei um corpo para ele. Enfim, aos poucos, a criatura foi começando a "existir". E aí está ele. Bem excêntrico. Quem disse que as pessoas não podem ver os sonhos dos outros? Tente você também por os sonhos no papel. É um exercício curioso.)

28 de agosto de 2009

Solidão pós-existência


Eu conheço esse lugar. Bem assim, melancólico e só.

[In]exitência Urbana


Mais uma demonstração do meu pessimismo e descrença desenfreados.

Espectral



Trabalhos remanescentes da disciplina 'Introdução á Pintura'.
"Aquarela" feita com nanquim diluído em água. Barato e bonito!
hahauahauah

Cuspe infernal.

Oremos, senhores!



Entardecer no formigueiro.

Por que gostamos do entardecer?

O quê estamos abastecendo?


18 de agosto de 2009

Hardcore baby!


Este é o primeiro desenho meu de que tenho notícia. Escaniei hoje. Segundo o quê minha mãe escreveu no verso, eu tinha 3 anos e 2 meses quando fiz. Ela lembra que quando me questionou sobre o que era o desenho, eu respondi:
-É um caminhão cheio de pneu furado.
hahauahauahuaha

Quando eu nasci, meus pais venderam tudo que tinham para tentar a vida como comerciantes. Compraram um bar velho cheio de bêbados que riram ao verem os dois entrando pela porta. Obviamente, eles não tinham dinheiro para pagar uma babá então... Me levavam para o bar. Dizem eles que eu ficava sentado no balcão, ao lado do baleiro, comendo balas e rabiscando enquanto eles atendiam os fregueses.
Foi aí que aprendi a desenhar. Dividindo o balcão com os bêbados. Riscando com a caneta de apontar o fiado sobre os papéis das notas fiscais e embalagens de maços de cigarro. Uma vidinha bem hardcore!

Depois, com o negócio [milagrosamente] dando certo, meus pais perceberam que eu gostava de desenhar e começaram a me dar cadernos de desenho. Enfim... O mais bonito dessa minha história é a história dos meus pais. Eu sei que eles não vão ler isso, mas queria aproveitar para dizer o quanto sou eternamente grato a eles por tudo que fizeram e ainda fazem por mim.
É isso aí.

15 de agosto de 2009

MONOTIPIAS II












Os Parangolés que eu desenho são happenings de coisa nenhuma. São movimentos cotidianos de roupas velhas no varal de pessoas que estão imersas em nada. São panos sem ritmo, que não valorizam cor, pois já não as tem. São tecidos que não proporcionam experimentação, senão a da mesmice e a do desconforto. São apenas um retrato da distância, tão pequena, entre arte e vida, e tão grande entre barraco e cobertura. E, por fim, não fazem parte do meu processo de desintelectualização, pois não sou intelectual.

hahauahuahuah

MONOTIPIAS I





Estas são algumas das monotipias que fiz na faculdade na disciplina 'Introdução à Gravura'.
Gosto muito dessa técnica por que ao contrário de outras, como a litografia e a xilogravura, que exigem bastante tempo de produção, a monotipia possibilita a obtenção de resultados com bastante rapidez. A técnica ideal para artistas ansiosos (!!!).
Gosto também das características estéticas dessa técnica. Das texturas principalmente. Obtidas facilmente, através de pressão sobre o papel, elas contribuem muito com o desenho produzindo uma espécie de "sujeira" que eu gosto muito nos meus trabalhos. Para completar a "sujeira", gosto de fazer monotipias com papéis "vagabundos", até mesmo sobre folhas de caderno. A tinta preta fica bem sobre o papel amarelado ou sobre as linhas das folhas... É muito bonito, pena que esse escaneamento não captou a cor, ficou uma porcaria. Vocês não estão vendo nada.

6 de agosto de 2009

"Onde andará Yondalla?"

"-Antarolas! Antarolas! Super saborosas! - Assim gritava o halfling de traz de sua pequena mesa de frutas. Chegara tarde à cidade e o único lugar disponível para instalar sua banca fora debaixo do portão... Ficou entre outras duas barracas bem maiores, de onde mal podia ser visto.
-Antarolas! Antarolas! Super saborosas! Só duas peças de cobre a meia dúzia! - Ele continuava a gritar. Minúsculo no meio da agitada e barulhenta multidão que entrava e saía da cidadela. As pessoas mal podiam ouvi-lo.
-Antarolas! Antarolas! As últimas da estação! - O vendedorzinho persistia.
-Antarolas, Antarolas! As mais doces que...
-Saiam da frente, em nome do rei! - Gritou alguém com uma voz grave. Era um mensageiro real. Se aproximava do portão galopando em um cavalo de guerra. Muito veloz, o cavalo provocava uma nuvem de poeira e afastava a multidão amedrontada.
Assustados, os vendedores correram retirando suas bancas do caminho. O pequeno halfling, instalado bem no meio do portão, não teve tempo. Esquivou-se rápido deixando sua mercadoria a mercê.
-Minha mesa! - Gritou ele escorado bem rente à parede quando o cavalo a atropelou, sem pestanejar. Ela se quebrou em vários pedaços jogando as frutas pelo ar.
Sem se responsabilisar, o mensageiro continuou seu curso, devolvendo a "paz" ao lugar. As bancas voltaram aos seus lugares e a multidão aos seus afazeres. Mas o halfling permaneceu parado. Angustiado. Impotente. Olhando o que sobrou da mesa e as frutas espalhadas pelo chão...
Minutos depois. Tendo concluído que já não tinha mais motivos para permanecer ali. Numa atitude típica de um halfling. Ele apanhou do chão uma das frutas machucadas e deixou a cidade.
Caminhou em direção à planície, onde bem ao longe, podia-se ver o seu bosque.
Mais tranquilo, foi comendo e cantarolando em rima:
-Um mensageiro chutou meu traseiro e uma égua sem bolas, as Antarolas. Já não tenho mesa, meu deus que tristeza. Não foi uma disputa, só restou uma fruta! Então mesmo sem asa eu vôo pra casa. Atravesso o portão, o rei é um bobão, atravesso a planície, outra chatisse[...]"

Tiarles M. Rodeghiero


Antarola:
No meu mundo de RPG a Antarola é uma fruta cítrica selvagem. Relativamente rara, é muito saborosa e apreciada por todos os povos. Os Halflings, especialmente, usam essa fruta na produção de sua bebida favorita, o Tarol. Um destilado fortíssimo que já agradou reis e que pode alcançar altíssimos preços no mercado. Porém, os halflings consideram essa bebida um presente de sua deusa e não a comercializam nem divulgam a receita.

2 de agosto de 2009

Chernobyl Toy

Lego - Centauro Mecânico
"Uma aberração metade boneco metade máquina com um potencial destruidor incrível. Ele me atropelou e depois, com um só golpe, perfurou a minha pelúcia e arrancou o meu enchimento. Ele é um monstro, uma criatura que não merece existir."
Ursinho de Pelúcia - Vítima de um ataque do Centauro


Fui à casa de um amigo e quando cheguei ele estava fuçando nos legos dele... Eu nunca brinquei nem tive um desses então, passei a noite conversando e montando peçinhas. Fiz um monte de coisas, mas essa série que vos apresento é a obra-prima, o resultado final da minha aventura criadora no mundo 3D; A linha evolutiva completa de um monstrinho futurista.
Obs: Ele não é o motorista, ele é parte da máquina!
hahauahauaha
Abraço a todos!

24 de julho de 2009

Amém



"Taganrog - Rússia, 11 de Outubro de 1942

Ontem à tarde durante a tomada de Taganrog, a cidade onde estamos, eu tive a inesperada prova de que Deus existe. Foi um milagre. Estávamos iniciando o ataque. Nosso pelotão avançando em formação aberta pelo campo quando, de repente, o capacete do tenente Dieter Müller voou para traz. Ele caiu segundos depois, já sem vida, evidenciando nossa desprivilegiada posição. Estávamos na mira de atiradores Russos. Em seguida também ouvimos disparos de metralhadoras pesadas nos flancos. Corremos todos em busca de cobertura. Abriguei-me contra uma pedra com dois companheiros, Jermaine e Ivo, mas eles também caíram. Tivemos muitas baixas... Ivo foi atingido na cabeça e caiu irreconhecível sobre o meu ombro jorrando sangue por toda parte. Entrei em pânico. Agachado. Inerte. Com os ouvidos doendo de ouvir o som infindável das balas ricocheteando na pedra a centímetros acima da minha cabeça. Foi quando o capelão Hans Kiefer veio na minha direção, correndo meio agachado, tentando se proteger das balas. Ele saltou perto de mim, entre os corpos de Ivo e Jermaine e gritou ordenando que eu parasse de rezar e pegasse minha arma para contra-atacar. Eu disse a ele que não podia. Enquanto recarregava a arma ele retrucou: “- Deus está do lado de quem vai vencer. Mecha-se!”. Não sei se foi o modo com que ele me disse aquilo ou se foi por minha fé, mas me recompus e comecei a atirar também. Depois dali fomos avançando aos poucos, tomando posições, e ao fim da tarde tínhamos dominado toda a cidade. Foi incrível, nós vencemos. Kiefer estava certo e termos vivido é a prova disso! Deus existe e está do nosso lado. Com ele vamos dar a vitória ao Reich!
Heil Hitler!”
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Este conto se passa na Segunda Guerra Mundial, especificamente no fim do ano de 1942 quando as tropas Alemãs estavam invadindo a Rússia. Escolhi a data 11 de Outubro por que foi neste dia, após a tomada de Taganrov, que pela primeira vez na segunda grande guerra o mau tempo e as chuvas ajudaram a Rússia transformando as estradas locais em rios de lama que frearam o avanço alemão. O mau tempo não impediu que, mais tarde, as tropas alemãs retomassem a invasão adentrando o território Russo, mas ao fim de tudo, assim como aconteceu com as tropas de Napoleão, o exercito invasor sucumbiu ao frio, sendo derrotado pela feroz resistência Russa. Que bom, um mundo livre do racismo de Hitler.
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Ainda assim, milhões de civis e, principalmente, soldados burros morreram em todos os lados da guerra... Vidas desperdiçadas por quê? Por quem? Por que eles não ficaram em casa com suas famílias? Por que ainda hoje o serviço militar é obrigatório? Morrer pela idéia de quem? Uma vida vale mais que uma idéia?
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Usei a figura do capelão e a frase “Deus está do lado de quem vai vencer” de 'A Canção do Senhor da Guerra' da banda 'Legião Urbana' para contestar falar de duas coisas. Primeira; Sempre vejo soldados e traficantes(guerrilheiros) cariocas fazendo o sinal da cruz e citando o nome de Deus e de Jesus a toda hora. Pobre bom Jesus se visse isso. Segunda; A igreja católica apoiou as forças do Eixo na II Grande Guerra, mantendo a “boca” fechada permitindo que 6 milhões de pessoas indefesas fossem mortas pelos nazistas. Até onde eu saiba, graças a Deus, a última grande cagada da igreja católica.
Ah! É claro que nem todos os católicos/bons cristãos quiseram isso, assim como nem todos os alemães eram nazistas, mas o holocausto e muitas outras coisas aconteceram...
Na foto, o papa junto a Adolf Hitler:
Essa é uma das razões de eu ter fé sem me filiar à uma instituição religiosa. Partidos políticos e religiões - partidos religiosos -, podem ser corrompidos e/ou liderados por maus representantes. Sobretudo, ainda bem que a igreja católica conta hoje com líderes melhores. E digo isso falando principalmente do inesquecível João Paulo II. Um homem de fé adorado por todas civilizações e culturas por onde passou. Um padre que com sua pureza e carisma mostrou ao mundo que só há um Deus e que para a fé não há fronteiras.
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Conselho/opinião de hoje: "Encontre um "bom Deus do bem" para você e certifique-se de não estar levantando uma bandeira enganosa. Há cada vez mais delas por aí."
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"Glória a Deus nas alturas e paz aos homens de boa vontade!"
Essa frase é linda, mas não sei o quê acontece com os homens de má vontade... Ficam soltos e roubam e matam os de boa vontade!? Pelo jeito sim. Ainda bem que nós vamos para o céu! Nós vamos? O céu não é aqui!? Com nossa consciência tranquila para aproveitar a vida que, por si só, já é bela como 10 céus.