17 de dezembro de 2009

ARÍETE


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"- E pensar que estou no exército há apenas 1 ano. Que droga! O que havia de errado na vida na aldeia? Impostos altos, acordar cedo, trabalhar no campo o dia inteiro e só voltar para casa a noite... Agora parece tão bom.
- Entendo... Mas lembre-se, agora você é um soldado!
- É. Eu sei, senhor. Não nasci para aquele lugar. Desde criança, eu gostava mesmo era de ir à cidade. Lá eu passava o dia em torno da cidadela, observando os guardas e a forma como eles agiam, para quando chegasse em casa brincar de ser soldado com os meus irmãos. Coisa de criança. Pura ilusão... Fui me alistar justo agora! Como poderia adivinhar essa guerra? Mal alcancei a idade para o alistamento... Ainda não estou pronto para morrer!
- Ninguém está. E é tarde demais para arrependimentos...
- Você não tem medo? Pelos Deuses! Dá para escutar as fileiras de arqueiros deles se organizando atrás das améias...
- É o silêncio que antecede a batalha. Acalme-se, cale-se e concentre-se!
- Está bem... Só mais uma pergunta; O que vamos fazer depois de arrombar o portão?
- Agradecer aos Deuses por termos chegado vivos até lá.
- ...
- Falando em portão, já podemos vê-lo. Lá está ele! Lembrem-se, homens, a vitória está em nossas mãos! Vamos lá, EMPURREM!!!
- Urrrraaaaaaa!!!
- Pare com isso! Gritar desse jeito só vai deixá-lo exausto. Guarde suas energias para os soldados lá dentro e concentre-se em se manter fora da mira dos arqueiros.”

Diálogo ocorrido próximo ao portão da fortaleza, minutos antes de o Aríete ser atingido acidentalmente por fogo amigo. Não confie na mira das catapultas!

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Dicionário Michaelis:
a.rí.e.te
sm (lat ariete) 1 Antiga máquina militar. 2 Madeiro pesado, com ponta recoberta de ferro, usado para romper portas de fortalezas.

Os aríetes ainda são usados pela polícia em operações especiais, mas o surgimento desse instrumento remonta à antiguidade, onde estes tinham participação muito mais considerável em conflitos militares. Como na tomada de Jerusalém, pelos romanos, por exemplo.

Embora de aparência rústica e estrutura bastante simples, nas guerras antigas a atuação deste instrumento era decisiva no rumo da batalha e tal importância e valor tático, tornava-o um alvo obstinadamente perseguido pelas tropas defensoras. Foi devido à grande preocupação dos exércitos atacados em inutilizar os Aríetes antes que agissem, que eles foram se tornando legítimos "carros de guerra", como o do desenho.

Naturalmente, os aríetes nos parecem estruturas um tanto exageradas, mas faziam muito sentido na época em que foram usados. Sua estrutura, semelhante a uma cabana, por exemplo, foi criada para proteger quem estava sob ela dos ataques dos arqueiros defensores, que tentavam, a todo custo, impedir a invasão. Tais escudos não garantiam proteção total a quem se encontrava sob eles, mas garantiam que os operadores do aríete sobrevivessem por mais tempo, dando continuidade ao arrombamento. Alguns Aríetes, assim como o do desenho, contavam até com escudos revestidos com couro, o que ajudava a evitar os incêndios provocados pelas flechas incendiárias do inimigo e até mesmo para proteger os seus operadores do Óleo fervente que, na idade média, também era jogado de algumas fortalezas sobre as tropas invasoras.

Semelhante a uma carroça pesada de madeira, contando apenas com a tração animal - humana - para se deslocar, o aríete era um veículo relativamente lento e que, por isso, era vulnerável em batalha desde a aproximação. Em sua lentidão, não só era atacado pelos arqueiros, como também ficava a mercê de contra-ataques rápidos da cavalaria e da infantaria inimigas. Portanto, mesmo contando com a cobertura do exército aliado, os soldados que operavam o aríete também deveriam ser experientes em batalha, para o caso de conflitos corpo a corpo. Durante o arrombamento os operadores do aríete também eram severamente atacados pelas tropas de defesa através das fendas que o próprio aríete abria no portão... Era uma operação de muitas baixas onde os operadores do aríete feridos e mortos pelo inimigo eram simplesmente repostos com rapidez, para que o ataque não parasse!

O Aríete que eu desenhei tem a tora de madeira semi-fixa na carroceria, mas a maioria deles possuía o "aríete", a peça de arrombamento em si, pendurada na carroceria como um pêndulo, o que lhes conferia maior impulso, aumentando a velocidade e, conseqüentemente, o poder de dano que causava ao se chocar com os portões do inimigo.

Uma arma temível!

Um comentário:

  1. Não li o texto ainda, só tou dando uma passada rápida, mas muito massa o Ariete!

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