12 de abril de 2010

Ilustração nova! - Um elfo desta vez!


"A caravana levantou acampamento bem cedo, junto do nascer do sol. Os caminhos que tinham que percorrer ficavam agora em área de floresta menos densa, o que significava dias mais longos e, conseqüentemente, mais aproveitáveis. Queriam compensar os atrasos dos dias anteriores.
.
Para os elfos da escolta, os ataques das aranhas gigantes e os dedos perdidos em plantas carnívoras eram resultado do mal comportamento de seus protegidos. Eles concordavam que a floresta não era nenhum jardim real e que as criaturas que lá viviam também não faziam o tipo animal doméstico, mas, entretanto, culpavam as maneiras e a falta de cautela dos anões mascates: – A quantidade de barulho que eles fazem é proporcional a sua ambição e indelicadeza. Seres complicadíssimos, esses anões! Não fosse nossa falta de mantimentos, eu deixaria que percorressem sozinhos a “maldita floresta”. Como se atrevem a insultar as árvores? - Dizia o líder dos elfos, numa clara amostra do clima pesado de
desavença e reclamação que predominava na viagem, que já passava de cinco dias.
.
Mas para Arael, um dos elfos arqueiros do grupo, tudo parecia excepcionalmente fantástico. Recém formado, ele ainda olhava maravilhado para o arco que recém ganhara, e passava o dia a lembrar e relembrar da cerimônia de entrega das presas dos orks ao seu líder. O ritual de passagem foi a melhor coisa que havia lhe acontecido na vida e nada parecia poder mudar o seu estado de felicidade. Nada, nem mesmo o fedor das aranhas gigantes mortas ou o anão, gritando, tentando tomar da planta os seus dedos de volta. Para ele a escolta da caravana de mascates anões era a aventura perfeita depois da formatura perfeita. A oportunidade ideal para aprender mais sobre a floresta e treinar sua pontaria com "alvos móveis".
.
Dessa forma, apesar das diferenças culturais, o grupo avançava, vencendo aos poucos as suas desavenças. Estavam tentando ser tolerantes e a brisa refrescante da alvorada, balançando levemente a copa das árvores, parecia estar ajudando. Arael, em seu estado de elevação espiritual por felicidade, já tinha até aprendido a respeitar os anões, e já não acreditava mais na teoria da grosseria suprema: - No fim das contas, apesar de tudo, parecem ser bons sujeitos. – Pensou ele, surpreso com sua facilidade em aceitar os famosos "maus modos" alheios.
.
E não bastasse a alegria que já tinha, teve outra surpresa. Caminhando distraído, relembrando dos orks dos quais arrancou as presas, tropeçou em algo que conseguiu mudar o seu semblante para melhor; uma caixa dourada.
.
- Nossa! Uma caixa de “sopro da acuridade”! – Disse ele, surpreso – Todo arqueiro deseja experimentar os seus efeitos. Só vi uma caixa destas uma vez na vida... A sorte parece sorrir para mim! - Pensou ele, mas sua felicidade durou pouco:
.
- O que pensa que está fazendo, orelhudo? Por acaso viu uma ninfa? Pode tirar esse sorriso da cara! Devolva-me isto! – Falou em voz alta um Anão gordo, do outro lado da caravana.
.
Desconfiado e inseguro, Arael respondeu em dúvida:
.
- Mas... Você está aí do lado, como ela pode ser sua?
.
Sem surtir efeito, as palavras do elfo foram em vão:
.
- Sem desculpas, me devolva logo a caixa. E fique atento! A minha segurança é sua responsabilidade, não ouviu o seu líder?
.
- Sim, senhor! Aqui está. – Respondeu o elfo, sem hesitar, jogando a caixa dourada para o anão, antes de marchar descontentente de volta ao seu posto.
.
Ele não tinha certeza sobre a posse da caixa e sua inexperiência também contava. Além do mais, não fazia o tipo firme, que batia boca, e preferiu devolver o objeto. Uma discussão nesse momento delicado da viagem também poderia piorar ainda mais a convivência do grupo e, com um pouco de azar, até resultar em um combate. Devolvida a caixa, assunto encerrado. O elfo tinha certeza de ter feito a coisa certa: - Não vou ficar abalado por isso! A caixa devia ser dele mesmo, eu que não devo tê-la visto cair... É possível, eles ficam transitando para frente e para trás na caravana... - Concluiu ele, sem permitir que o fato o aborrecesse.
.
Mas segundos depois, o aborrecimento veio:
.
- Não é que funciona! – Exclamou o anão, para a surpresa de Arael - Eu sinto como se pudesse acertar os testículos de um Kobold a 100 metros daqui com o meu machado! – Disse ele, erguendo os braços, com o machado em uma mão e a caixa dourada vazia na outra. Como se não bastasse, ele continuou:
.
- Tome, garoto, fique com a caixa, ela não é minha. – Disse o anão, em meio a gargalhadas vigorosas. Seu tom não era de deboche, mas suas palavras afetavam o elfo - E não tenho idéia de quem seja. Os "sopros da acuridade” são produzidos pelos Halflings e não negociamos com eles. – Concluiu o anão.
.
Controlando-se ao máximo, Arael tentou não demonstrar reação. Estava ocupado demais controlando sua raiva e descobrindo que
conhecer a floresta e o “mundo” podia não ser tão divertido quanto pensava. Ele conhecia agora uma das principais diferenças entre o povo da floresta e o povo das cavernas; o humor apimentado.
.
- O que posso fazer? Nada... - Pensou ele, de novo, tentando esquecer o fato ao admirar o seu poderoso arco composto élfico.
.
Dois dias depois, já em casa, Arael ficou sabendo que o anão da caixa dourada havia morrido, de mal súbito, durante uma negociação na feira central da cidade. Sem se pronunciar, o elfo sentiu muito e o agradeceu profundamente ao anão em suas preces. Durante as orações, para o seu espanto, pode jurar ter ouvido a voz dele; Em meio ao som de gargalhadas graves e sinceras, ele parecia dizer: - Nunca beba poções que encontrar pelo chão, meu garoto. Seja sábio e boa sorte em sua jornada! - Depois daquilo, Arael nunca mais foi o mesmo."




Teste de ilustração direto no photoshop e um conto mais ou menos que me deu vontade de escrever.
Até mais!

9 comentários:

  1. como assim 0 comentários?;;?????? porra cara ta muito foda!!
    tu ta preparadíssimo pra tarablhar com isso.

    ResponderExcluir
  2. Pow, valeu Jota! =]
    Mas não é pra tanto, ele nem tá de armadura ou coisa assim... Deixa eu fazer mais uns 10 desses, aí eu aceito o emprego. Heheh
    Valeu!

    ResponderExcluir
  3. PORRA CHARLIE!!! Tás chutando bundas hein caralho??? PORRA!
    Quando rola aquela oficininha de textura pro gafanha? Fuck Yeah meu!

    ResponderExcluir
  4. Tiarles,

    Esses teus desenhos são muito maneiros! Você usa uma programa para dar esses efeitos? É uma pintura?

    Me amarrei naquelas camisetas personalizadas. Show de bola!

    ResponderExcluir
  5. Opa, antes de tudo, obrigada por seguir meu blog ;DDDD
    Vamos por partes! Eu te achei no Steambook, mas antes disso ja tinha visitado o blog há muito tempo atrás, pq alguem linkou umas fotos steampunk ai eu vim conferir.
    Como eu adoro desenhos, aproveitei pra te seguir hahahahaa
    E que legal, vc e sua boffa gostaram do pedra, papel e tesoura!!!Rachei de rir quando achei aquele gif xDDD E sim, Deus rouba *blasfemando!!!* hauhsuahusuas

    Mas ei, ninguém do teu vilarejo conhece rpg nao?! apresenta pro povo e monta uma mesa =B
    Tais tentando mestrado em que tanto?! Boa sorte nisso também =)

    ResponderExcluir
  6. Amei como posso ser parceiro?? :P

    http://artmusicblog.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  7. Que lindo!!!!

    adorei anjju!!

    saudade!

    ResponderExcluir
  8. Valeu pelos comentários Gustavo, Gafanha, Jones, Camila, Bibs, Pepe... Valeu mesmo, pessoal!
    Muito obrigado!

    ResponderExcluir

Você pode comentar na modalidade "anônimo", sem precisar LOGAR em nenhuma conta.
Sua opinião e crítica são fundamentais; obrigado por comentar!